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Mundo, tão pequeno mundo…

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Aquele que não é livre, enxerga um mundo restrito, acredita num mundo medíocre, utiliza uma linguagem que quer confirmar a não-liberdade e faz isso a todo tempo porquê precisa provar para si mesmo a existência deste mundo fictício que cria para si. Transforma suas relações com objetos e outras pessoas neste sistema fechado, quer convencer os outros de suas idéias, fica muito chateado se tiram seu chão e, sobretudo, fica embasbacado e sem ação quando vê um outro, livre, e sofre, sofre muito quando percebe sob seu nariz a liberdade “caótica” subjacente à própria existência.

Aquele que vive o sentimento de culpa, alimenta o sentimento de culpa como se fosse um peixe num aquário, precisa confirmar este sentimento de quando em quando para que ele não desapareça, ele pede confirmação para os outros, e inclui os outros nele, e acredita que obtém um certo alívio quando percebe que outros também têm essa mesma coisa, chegam a ficar felizes até, de uma alegria fosca e volátil feita de cumplicidade triste. Levam a vida assim, no dia de ontem.

Aquele que é negativo vê um mundo azul, azul chumbo. Tudo traz no fundo a semente do mal ou da tragédia engendrada, tudo é colocado numa moldura de horror, e todo cuidado é pouco. Seu mundo esta a beira do colapso a todo o tempo e se os outros não vêem o mesmo, então talvez todas as suas crenças, e sua vida por conseqüência, possam estar envenenadas ou com mal-agouro, encosto. Ele inclui os outros em seu mundo sombrio, não raro ele se torna a vítima.

A vítima precisa do algoz, então transforma o mundo à sua volta na causa dos seus problemas. E qualquer coisa pode ser a causa, o amigo, o inimigo, o tempo frio demais, a falta de tempo, a caixa de fósforos úmida, o pólen, qualquer coisa serve para alimentar e justificar sua existência tão sofrida. A vítima precisa de outros para existir assim tão frágil e desprotegida, vivendo em seu mundinho estreito.

Aquele que é estressado agita e enerva o que está a sua volta sempre que possível, assim seu frágil mundo ganha algum sentido e ele respira aliviado, ainda que mais estressado, mas isso não importa, importa dar sentido ao seu estado de nervos.

Aquele que é simpático traz um belo e convincente sorriso no rosto, adora sorrir para os outros, acredita levar a alegria a todo lugar. Fica preocupado porque o mundo já não sorri tanto ou porque alguém não correspondeu ao seu sorriso. Não entende porque há tanta gente mal-humorada no mundo. Muitas vezes não se importa se o mundo não corresponde sua expectativa, mas gostaria que as pessoas fossem mais felizes, como ele.

Aquele que é bom, está sempre fazendo o melhor possível, procura sempre fazer o bem para os outros, alguns, até em detrimento de si mesmo. Assim ele espera o reconhecimento de sua bondade através dos atos bons dos outros também. Fica inconsolável quando alguém corresponde sua bondade com indiferença, malícia ou maldade. Gostaria de ser reconhecido e adorado por todos por suas boas ações. Assim ele precisa de outros atores comprometidos na sua nobre causa para existir com alegria neste mundo.

O humilde abaixa a cabeça nas situações adequadas para que continue a ser humilde no momento oportuno, assim ele reconhece sua posição limitada diante das circunstâncias. Ele vê “os de cima” em cima e se vê embaixo, porque “os de baixo” estão abaixo. A humildade é a sua bandeira, sua guerra é manter as coisas separadas, os suntuosos e arrogantes confirmam sua posição no tabuleiro e assim ele, humildemente, sabe o seu lugar.

O trabalhador acorda cedinho para a labuta, todos os dias (domingo não), e sabe: “Deus ajuda quem cedo madruga.” Oferece assim convicto as melhores horas do seu dia ao trabalho, não importa muito qual, desde que o dia se consuma e no final haja a féria. Desvaloriza aqueles que não acordam tão cedo ou não trabalham tanto assim. Sente-se forte contrapondo sua posição com a dos que trabalham menos e, sempre que a vida se torna um peso, lembra que é um trabalhador exemplar, que quase não tem tempo para outras coisas na vida além do trabalho, e mesmo assim não fez nada de mal, pelo contrário, e isto o alivia, ainda que não remova o tal peso. Dessa maneira o trabalhador molda o seu mundo e ocupa o seu lugar.

Esses são eu.

….

Poderia ainda descrever dez mil parágrafos como estes falando do vaidoso, do louco, do desajustado, do habilidoso, do genioso, do general, do médico, do goleiro, do amador, do caridoso, genial, humorista, idiota, servente, presidente, executivo, vendedor, lixeiro, amoroso, extrovertido, forte, fraco, compenetrado, disperso, etc, etc, etc… Cada qual com o seu mundo, cada qual defendendo seu pequeno lote cercado, sua pequena parcela, seu pequeno quinhão de vida. Que criaram para ele, que ele acredita, cria e mantém. Vivendo na água turva e viciada do aquário, com a água que há tempos retiraram do fluxo incessante de um grande rio sem começo nem fim. Vão viver assim, acreditando num início e num fim que só se enxerga nos limites do aquário. Todos têm em comum a concepção epidérmica extremamente dualista que se define delineando bordas a todo instante entre o seu e os deles, entre o si e o outro. Todos criam e sustentam uma linguagem que mantém seu mundo intacto como uma rocha ou um castelo de cartas. Essa linguagem precisa da confirmação de outros, senão desaparece, perde o sentido. Essa linguagem, que se expressa na fala, nos gestos e nas ações, precisa ver-se refletida nos outros para perpetrar. Então criam associações para se confirmarem mutuamente, aí ganham muito mais força. E fazem algo muito, muito perigoso. Que é incluir os outros em pequenos jogos de ego, ínfimos jogos de malícia e mesquinhez que servem ainda para dar força e aparente coerência aos seus pequenos mundinhos de águas seletas. E aqueles que entram nos jogos de outros, ainda acreditam estarem fazendo os seus próprios jogos e aí não se sabe mais quem começou, não se sabe onde vai terminar, “onde acaba este sofrimento”. Fazem isso de boa vontade, quase sempre, fazem porque é assim que acreditam na vida, de outra forma não sabem, não sabem viver. De outra forma encarariam um vazio tremendo, um vazio pavoroso, um vazio de trincar o dentes e ouvir os urros das bestas mais medonhas, de ouvir ecos de gerações e gerações atormentadas por todos os tipos de misérias, como as suas.

Aquele que participa destes mundos, que percebe estes mundos por todos os sentidos do corpo e da mente, aquele que freqüenta estes mundos sem discriminar, sem escolher, sem pegar e sem se apegar é chamado de Bodhisattva, ou “apto ao despertar”. Aquele que encara o vazio com tranqüilidade, não vê mais a si, sabe que o vazio é um fluxo incessante sem si próprio, sem princípio, sem fim. Ele não tem medo, porque o mundo dos medos é apenas mais um e, diferente do fluxo incessante que é a existência, em total sincronia com o universo, o medo tem começo e tem fim, começa e termina neste exato momento.

Contudo, mesmo os que acreditam terem fixado seja o que for, seja qual mundo for nesta existência, estes ainda fazem parte do grande fluxo sem nome e sem mundos, que a tudo e a todos banha sem discriminação, sem escolher e sem se apegar. Que banha e conduz as marés e os oceanos verde-azulados, as aves migratórias, o céu inacreditável de tantas estrelas cintilantes, os ventos, os verões e invernos, as rãs, o cheiro de pedra molhada na beira do rio e o sol, entre tantos, tantos seres iluminados.

Retirado do blog Sangha Margha

O Mar

O Mar durante a noite é surpreendente, pode nos ensinar muito com apenas o vai e vem das ondas e o melancólico sopro do vento. Durante a noite nossa visão é limitada e nossos sentidos, revigorados. É no meio da noite, no silêncio devastador que paramos e estudamos tudo. Contemplar a sabedoria das Estrelas, a Lua, o Mar, o Ar, a Terra e a Vida. Momentos simples, como uma gota de chuva que cai na folha e escorre até atingir o solo ou de estar em alto mar e poder assistir o pôr-do-sol, momentos que nos trazem a paz espiritual e a sabedoria necessária em nossas mentes e corpos para que atinjamos o equilíbrio, mesmo que momentâneo. 

O Mar durante a noite, pode ser assombroso e assustador, algo simplesmente pode vir e nos tirar do caminho sem que ao menos tenhamos chance de nos defender. Apesar de quão assustador ele possa ser, temos que nos manter alertas e sem medo, já que o medo nos impede de realizar atos que até então estavam fora do alcance próprio. Sentado na prancha em meio ao mar agitado, as séries de ondas não para e a sensação é como se uma força maior estivesse querendo te tirar de jogo. São várias séries na cabeça, durante a noite, só se ouve o barulho das ondas quebrando, as baforadas do mar querendo brincar um pouco com um forasteiro, você. Depois de muitas séries, a auto-estima já caiu bastante mas temos que manter a chama acesa e a vontade mais forte ainda. A força natural da vida te da aquele fôlego pra você não desistir tão fácil e você vai e tenta de novo, tenta pegar uma onda noturna, iluminado apenas pela lua e as estrelas que brilham no céu, os espectadores que te assistem e mandam força. De repente, aquele momento que antes fora criado pela sua imaginação, agora se torna real, você está naquela onda, a onda que você esperou tanto, aproveita ela cada segundo, uma onda surreal, cheia de tubos e água, muita água.

Quando senta na sua prancha de novo, admira aquele momento, traz de volta o registro fotográfico que sua mente fez especialmente pra você, agradece aos seus espectadores particulares e agora já está pronto para sair do mar, agora momento único e diferente todos os dias, o nascer da grande estrela flamejante, o Sol, os primeiros raios atingem seu rosto e seus dentes que brilham com a felicidade de ter pego uma onda surreal e mágica. Um vento cósmico bate na sua cara e você sente que é hora de sair do mar, mas as sessões não param e parecem querer sempre quebrar em você. O mar está agitado, você procura uma saída e não consegue achar, mas um brilho aparece ao fundo, um brilho que está se movimentando rápido e vindo em sua direção, um outro ser de sua espécia, de sua raça, um outro surfista, que também já foi como você, já buscou a sua própria onda surreal e ele lhe chama, lhe estende a mão e diz:

– Vem, aqui está a saída(ou talvez a entrada)!

Você começa a remar em direção ao brilho do surfista e a coisa mais importante no momento é encontrá-lo…

*(Esse é o modo como me sinto no momento.. IMAGINE!)
**(Continua…) 

Thiago Dorta

Feliz Natal e Ano Novo

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Muita consciência, prosperidade espiritual, mental,  física, além de boa música, boas companhias, bons sentimentos e altas ondas nesse final de Ano!

Valeu por fazer parte dessa familia tão especial!

FELIZ NATAL E UM ÓTIMO ANO NOVO PRA TODOS VOCÊS!

2009

xmas session

Uma música que me traz sensações das quais nunca senti, uma música que me faz pensar muito. Pense sobre o ano que passou!

JJ – Moonshine

Uma música inusitada, na dúvida de qual por ela apareceu e rolaram risadas por aqui.. vamos começar 2009 com animação.

Cheech and Chong – Searchin’

Merry Christmas and Happy New Year surfers.


Knowledge

Carma

A lei do carma é um exemplo especial da lei de causa e efeito, segundo a qual todas as nossas ações de corpo, fala e mente são causas, e todas as nossas experiências são os seus efeitos.

A lei do carma explica por que cada indivíduo tem um temperamento único, uma aparência física única e experiências únicas. Esses são os diversos efeitos das incontáveis ações que cada um realizou no passado. Não encontramos duas pessoas que tenham criado exatamente a mesma história de ações ao longo de suas vidas passadas e, portanto, nunca encontraremos duas pessoas com estados mentais idênticos, experiências idênticas e aparência física idêntica.

Cada pessoa tem um carma individual específico. Algumas pessoas desfrutam de boa saúde, ao passo que outras estão constantemente doentes. Algumas são muito bonitas, outras, muito feias. Algumas têm bom temperamento e se contentam facilmente, outras são rabugentas e raramente gostam de algo. Há pessoas que compreendem com facilidade os ensinamentos espirituais, enquanto outras os consideram difíceis e obscuros.

Carma significa ação e se refere às nossas ações de corpo, fala e mente. Toda ação deixa uma marca, ou potencialidade, em nossa mente muito sutil e cada uma dessas marcas dá origem a seu próprio efeito.

Nossa mente é como um campo e realizar ações é como plantar sementes nele. Ações virtuosas semeiam felicidade futura e ações não-virtuosas semeiam sofrimento futuro. As sementes que plantamos no passado permanecem em estado dormente até que as condições necessárias para que elas germinem se reúnam. Em alguns casos, isso pode acontecer muitas vidas depois da ação original ter sido cometida.

Foi por causa do nosso carma, ou ações, que nascemos neste mundo impuro e contaminado e experienciamos tantas dificuldades e problemas. Nossas ações são impuras, porque nossa mente está contaminada pelo veneno interior do auto-agarramento. Essa é a razão fundamental porque experienciamos sofrimentos.

O sofrimento é criado por nossas próprias ações, ou carma; não nos é dado como punição. Sofremos porque, em nossas vidas anteriores, cometemos muitas ações não-virtuosas. A fonte de todas essas ações negativas são as nossas próprias delusões, como raiva, apego e a ignorância do auto-agarramento.

Uma vez que tenhamos purificado nossa mente do auto-agarramento e de todas as outras delusões, nossas ações serão naturalmente puras. Como resultado, todas as nossas experiências também serão puras. Viveremos num mundo puro, onde nosso corpo, prazeres e amigos serão puros. Não haverá o menor traço de sofrimento, impureza ou problemas. É assim que podemos encontrar verdadeira felicidade em nossa mente.

por Venerável Geshe Kelsang Gyatso.

Feel it!

Pense na sua vida, ela é sua e você sempre estará sozinho nas decisões. Não deixe a chance de viver uma vida feliz escapar por entre seus dedos, não deixe de viver!
Aproveite, faça o que gosta, o que sente vontade, não perca oportunidades, não perca momentos.
Tudo o que você quer, só depende de você.

Você cria suas idéias, tem o poder de destruí-las e o poder de as fazer florescer.

”Emancipate yourselves from mental slavery”

Medite, surfe nas suas idéias.

 

A Essência da Meditação

A meditação permite-te ouvir a palavra do silêncio, discernir a sua Clara-luz, no interior de ti. Essa visão não será possível se estiveres numa atitude sonolenta, que provoca o devaneio. Senta-te para meditar, com o busto direito, como uma árvore, com os olhos fechados, na posição do vigilante.

Observa muito longe em ti, sem afrouxar a tua atenção, com o espírito vazio, evitando o movimento dos pensamentos. É a atitude do guerreiro espiritual, do Acordado.

Nenhum pensamento está, na realidade, completamente isolado. O verdadeiro espaço está no interior. O que se passa no espírito repercute-se em todo o universo.

A vida é uma disciplina que se conjuga no presente. Realiza cada ato plenamente. Não te interesses senão pela vida, em todas as suas formas, pois ninguém sairá vivo desse jogo.

Não tenhas medo da solidão quando ela vem ao teu encontro. Ela é a ocasião de te reencontrar e de te fortificar.

Aprende primeiro a acalmar o teu espírito e a relaxar o teu corpo, depois desce em ti, como o mergulhador. Não tenhas medo de conhecer a plenitude e a completa vacuidade. Só tens uma vida, mas é infinita. Com a meditação, entras naquilo que não pode ser nem dividido nem separado.

Muda de ponto de vista para guardar distanciamento. Desconfia das paixões, ganha recuo recolhendo-te.
A meditação aproxima-te do centro de ti próprio, logo que fechas os olhos. Não está ligada ao curso do pensamento, nem ao jogo fantasmagórico das emoções. Aprende a calar-te e o teu coração abrir-se-á.

A origem das coisas não está situada no passado. Produz-se agora, em cada instante, no teu espírito. Aprende a pensar de outra maneira.

Podes utilizar um sonho, uma recordação, como suporte para a tua meditação. Não analises, não reflitas. Contenta-te em observar, sem palavra, sem pensamento, como o animal fascinado observa o fogo. Transforma os teus desejos, as tuas sensações, em energia pura. Considera-os como pedras preciosas, que brilham desligadas de ti.

A meditação transforma a crença em realidade vivida. Utiliza o seu poder, se queres mudar o mundo.

Não é necessário que medites sobre as mandalas nem sobre as figuras tradicionais do Vajrayana. Toma o teu próprio desejo como objeto da tua meditação. Observa-o, de longe, sem perder o encantamento, e segue-o como se sobe um rio, até à sua nascente. Ele é a chave que abre todas as portas.

Aprende o poder de amor da meditação: ela abre o coração e faz nele penetrar o universo inteiro. Reúne o que foi separado pela ilusão. Eis-te imerso no fluxo da vida e deslizando com ele.

Aprende também a meditar com os olhos abertos. Concentra-te na beleza de uma flor, no murmúrio das ondas, no barulho do vento. Suprime a distância que te separa das coisas. Meditar é um ato de amor.

Cada paixão dominada acende um novo sol.

Toma refúgio muito longe em ti próprio, se queres encontrar os outros.

Se estás infeliz e num estado de caos interior, não acuses o mundo pois ele não é senão o reflexo de ti próprio. O que tu és, o mundo é-o também. Cura-te e o mundo curar-se-á.

Deves derrubar os teus hábitos de pensamento. Desce em ti, com o espírito livre, consciente da tua própria divindade, à maneira de um espelho que reflete o sol.

Medita por entre o tumulto da vida quotidiana, no meio dos engarrafamentos, andando na rua. Descondicione-se. Toma de repente altitude, e considera o espetáculo do mundo como um fluxo eterno, sem começo nem fim. Estás no centro, o único ponto fixo, com a tua consciência, as tuas sensações, as tuas reflexões. Meditar assim renova a energia, e evita a lassidão.

Meditar, é renunciar ao universo conhecido e descer aos bastidores, aí onde o espírito puxa os cordéis do jogo. É tornar a ser o grande maquinista, o criador do universo.

A meditação começa sempre por uma total descontração do corpo físico, que elimina as tensões. Aprende a respirar, isto é, a tornar vivos os mecanismos habituais do corpo.

Reúne os teus pensamentos no centro de ti próprio, e impede-os de derivar. Visualiza esse centro como sendo a única realidade, se queres que a tua meditação se torne numa arma que desperta.

Nós não temos nenhuma consciência de nós próprios, é por isso que o menor choque exterior nos surpreende e perturba. Reencontra o domínio interior, sem perder a inocência do olhar, e a bondade do coração.

A meditação permite-te ocupar realmente o teu lugar, reencontrar o equilíbrio e a harmonia. Ela é a via real que leva à felicidade, o caminho mais curto, pois evita os maus hábitos do exterior, os artifícios, as ilusões.

Considera o teu espírito como o templo de ouro, que contém todo o universo.

A meditação permite reunir as energias, evitando a dispersão e o desperdício. Orientando os teus pensamentos para os outros, podes curar os que sofrem, vir em auxílio dos desgraçados e fazer muito bem. A meditação acorda os poderes do espírito.

Se queres deslocar-te e aproximar-te de alguém, podes utilizar o poder todo-poderoso do pensamento. Visualiza o lugar que queres atingir, reunindo as tuas emoções, os teus desejos, sem te perder em vagos devaneios. Para isso, não deves deixar o teu espírito vagabundear, mas, pelo contrário, torna a trazê-lo para o centro de ti próprio, pela meditação, sem nunca perder a consciência do Instante.

Durante a tua meditação, deixa flutuar as idéias e as sensações vagabundas, sem procurar retê-las. Deixa o vazio invadir o teu espírito, e ressentirás um calor maravilhoso, assim como uma imensa alegria. Será então que a distância entre ti e o mundo há de desaparecer. Estás no lugar do espírito que reúne todas as coisas. A partir deste lugar, podes agir sobre ti próprio e sobre o mundo.

Descobre a profundidade da meditação, e encontrarás a imediatitude do mundo. Os mestres de sabedoria ensinam que esse instante é a única realidade. Dele nascem os universos e os mundos.

Os conflitos, o ódio, a violência, provêm de um desconhecimento de si, que gera dor e confusão. Não duvides do teu próprio esplendor interior. Cada ser vivo é uma estrela.

Dugpa Rinpoche

Texto extraído do site: http://www.dharmanet.com.br